Brigada Contra Incêndios

Um dos principais desafios na gestão de uma Unidade de Conservação no Cerrado é o controle do fogo na área. Isso porque a região apresenta um clima fortemente sazonal com uma estação seca bem marcada, o que favorece a ocorrência e propagação de incêndios. Apesar da vegetação nativa do Cerrado apresentar adaptações para tolerar queimadas, estas tendem a ocorrer com frequência muito elevada em áreas em que atividades humanas com fogo, como a limpeza de terrenos para pastagem ou queima de lixo, saem do controle e as chamas se propagam para áreas vizinhas.


Para lidar com esse desafio, foi criada em 1978 a Brigada Contra Incêndios do IBGE que reúne servidores envolvidos nas diversas atividades da instituição. Dessa forma, funcionários da oficina mecânica, carpintaria, marcenaria, levantamento de recursos naturais, geodésia e cartografia, guarda patrimonial, motoristas, dentre outros se voluntariam para atuar na prevenção, combate e manejo do fogo na Reserva.


Uma das principais atribuições da brigada é a de vigilância e combate inicial de incêndios nas áreas de cerrado na Reserva. Caso o incêndio seja de maior dimensão, o Corpo de Bombeiros do DF é acionado e passa coordenar as atividades com o apoio dos Brigadistas que, devido seu amplo conhecimento da área, conseguem apontar as áreas mais sensíveis e com maior intensidade das chamas.


Os participantes da Brigada recebem treinamento inicial ministrado pelo Corpo de Bombeiros Militares do Distrito Federal e participam de cursos de reciclagem promovidos por diversas instituições.

 

Primeiros treinamentos.
Brigadista participando de curso na Oregon State University.

 

A equipe foi formada inicialmente por 21 brigadistas e chegou a reunir quase 60 voluntários tendo contado ao longo de sua história com cerca de 100 participantes dentre combatentes e equipe de apoio. Para suas atividades, a brigada conta com caminhões-pipa com tanque de 5.000 litros de água e conjunto motobomba, veículos de apoio, que realizam também o trabalho de ronda, prevenção, fiscalização e transporte de brigadistas, e equipamentos diversos como abafadores e bombas costais.

Realização de queimada prescrita em parcela experimental que avalia efeito do fogo no Cerrado com queimadas realizadas de 1991 a 2008.

Além de atuar no combate aos incêndios, os brigadistas colaboram com atividades de prevenção, como a manutenção dos aceiros. Estes são faixas de supressão da vegetação que servem para evitar que incêndios provenientes de outras áreas se propaguem para a Reserva. Esses aceiros podem ser do tipo mecânicos, quando a retirada da vegetação é feita com tratores e roçadeira, ou aceiros negros, quando se utiliza o fogo para remover de forma controlada a parte inflamável da vegetação (combustível). Adicionalmente a brigada colabora diretamente com a pesquisa científica na Reserva realizando queimadas controladas em parcelas experimentais de projetos de pesquisa de longa duração.

 

Realização de aceiro com fogo (aceiro negro) na faixa de vegetação junto à rodovia.

Por mais de 40 anos, os brigadistas atuam não só na Reserva mas também ajudando no combate ao fogo nas unidades de conservação vizinhas num processo de colaboração das equipes de modo a otimizar os esforços para o controle dos incêndios.

Homenagem à Brigada do IBGE em 2019 pelos 40 anos de atividade. Evento reuniu participantes em exercício e aposentados, além de brigadistas colaboradores do Jardim Botânico de Brasília e representantes do grupo do Plano de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais no DF - PPCIF/DF do qual o IBGE faz parte.

 

Brigada profissional

Apesar do bom funcionamento da brigada de servidores da Reserva Ecológica do IBGE, vem ocorrendo a redução do número de brigadistas na última década. Isso se deve a intensificação das aposentadorias dos servidores da unidade que têm superado o número de contratações. Em função disso, desde 2020, a Reserva Ecológica do IBGE passou a contar com o apoio de uma brigada contra incêndios florestais profissional por meio de contrato de prestação de serviços continuados com empresa privada. Dessa forma, a unidade passou a ter a disposição, durante 6 meses do ano, duas equipes formadas por um chefe de esquadrão e dois brigadistas (cada equipe trabalhando em regime de 12/36 horas). Esses colaboradores, aprovados em Curso de Formação de Brigadas de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais ministrado pelo Prevfogo/Ibama ou ICMBio, são responsáveis pela vigilância contra incêndios florestais, combate a focos de incêndios e notificação ao corpo de bombeiros em casos de incêndios de maiores proporções. Adicionalmente, esses profissionais executam ações de prevenção¹ de incêndios na área, como a manutenção de aceiros e roçagem de áreas com risco de propagação de chamas, e fornecem apoio às atividades científicas e de conservação na Reserva. Todas as atividades dos brigadistas profissionais (terceirizados) são coordenadas por servidores brigadistas da Reserva Ecológica do IBGE de modo que a experiência com o histórico de incêndios na área e com a operação da infraestrutura seja aproveitada pelos novos brigadistas.

 

¹ Tais atividades de prevenção são também apoiadas pela equipe de empresa contratada para ações de manutenção relacionada ao manejo da Reserva. A manutenção de aceiros usando máquinas pesadas e realização de aceiros com fogo (aceiros negros) tem também o apoio de instituições parceiras que integram junto com o IBGE o grupo do Plano de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais no DF - PPCIF/DF.

Equipe da brigada profissional (2020).
Equipe da brigada profissional (2020).

 

Rondas e familiarização da nova equipe da brigada com a área (2020).

 

Atividades de desobstrução de estradas para garantir ações rápidas em caso de emergências (2020).
Remoção de manchas de espécie invasora com grande potencial de intensificação e propagação de chamas em caso de incêndios (2020).