Na última terça-feira (24), durante a visita guiada à Reserva Ecológica do IBGE (Recor), as crianças da Escola Classe 104 de São Sebastião, mostraram que aprender também pode significar observar, brincar e experimentar. Ao longo de um dia inteiro de visitação, 10 turmas do 2º ano do ensino fundamental participaram de uma programação guiada na reserva. Pela manhã, 5 turmas. À tarde, as outras 5. Para garantir que todos aproveitassem cada atividade, os estudantes de cada turno foram divididos em três grupos que se revezaram em quatro experiências diferentes, transformando a visita em uma verdadeira imersão no bioma.

No arboreto da reserva, a natureza virou um grande tabuleiro. Durante o Bingo da Natureza, os instrutores apresentavam, em um flipchart, espécies da fauna e da flora do Cerrado. Em seguida, as crianças corriam entre as árvores tentando localizar cada uma delas.

Em outra estação, o desafio era identificar as pegadas dos bichos. Nessa atividade, marcas de animais do Cerrado foram reproduzidas em argila fria para que os estudantes identificassem a qual espécie pertenciam, utilizando um painel ilustrado com as imagens dos animais como apoio.

A estagiária de biologia Taíssa Rodrigues conta que a atividade foi cuidadosamente construída para aproximar as crianças das características dos animais do bioma.
"Algumas pegadas nós imprimimos o molde e reproduzimos. No entanto, outras, como as da capivara, do lobo-guará e do cachorro-do-mato, pegamos os próprios animais que temos na coleção e fizemos um carimbo das patas na argila.", explicou Taíssa.
As atividades mais lúdicas também contaram com o apoio do grupo Bio na Rua (UnB), que trouxeram seu acervo de animais e reforçaram a experiencia prática das crianças com a fauna do cerrado.
Enquanto algumas crianças investigavam pegadas, outras viam de perto as variedades de espécies. A Mostra Biodiversidade do Cerrado, apresentada pelo analista em biodiversidade Frederico Takahashi, reúne coleções zoológicas de insetos, peixes, aves e mamíferos – entre outros – preservados para pesquisa científica.

Foi justamente nesse momento que surgiram as perguntas mais espontâneas da visita.
"A pergunta que as crianças mais faziam é: 'Tio, essas coisas são de verdade mesmo ou é de
mentira?'. Foi difícil convencê-los de que são animais que morreram e depois foram conservados
para catalogação”, comenta, com risos, Frederico.

Para ele, a presença dos estudantes reforça o papel da reserva como espaço de educação ambiental:
"A gente fica muito feliz em receber as crianças aqui na reserva. É fundamental fazermos a
conscientização das novas gerações sobre a preservação ambiental. Essa é, sem dúvidas, uma
experiência importante para aprimorarmos o programa de visitação."

A programação incluiu ainda uma palestra conduzida pela servidora Michella Reis, que apresentou um panorama da história da Reserva Ecológica do IBGE, explicou as pesquisas desenvolvidas no local e mostrou a importância do herbário e das coleções zoológicas para a ciência. As crianças também conheceram características de animais emblemáticos do Cerrado, como a onça-parda, a seriema, o veado-mateiro, o lobo-guará e o tamanduá-bandeira. Ao final da palestra, a tecnologia aproximou ainda mais o conhecimento do cotidiano dos estudantes. O “Quiz Animal!”, realizado na plataforma IBGE Educa, e uma atividade interativa utilizando a plataforma Nomes do Brasil encerraram a programação em clima de entusiasmo. Também foram distribuídos para as crianças kits de presentes com atividade de recorte e colagem, bloquinho, caneta e mapas.

De acordo com a supervisora pedagógica da Escola Classe 104 de São Sebastião, Carla Gabriella Araújo, experiências como essa tornam o aprendizado mais significativo.
"Essa troca é de extrema relevância, porque uma coisa é ver em sala de aula a teoria sobre os
animais e as plantas; outra coisa é estar aqui, em um espaço que permite vivenciar, que permite ter
contato com a natureza. Nosso bioma é muito rico. Para que o aprendizado se fixe, é preciso que
haja atividades concretas. Eu estou adorando a vivência que estamos tendo hoje, e as crianças
também. É extremamente relevante essa parceria com a comunidade escolar.", ressalta a supervisora.
E talvez nenhuma definição traduza melhor o impacto da visita do que a de quem viveu tudo isso pela primeira vez. A estudante Laura Lisboa Ferreira, de 8 anos, saiu da reserva levando mais do que novos conhecimentos:
"A visita foi muito boa. Eu conheci vários animais que eu não conhecia. Eu vi vários animais.
Esqueleto, Pele...Foi muito legal. Foi um dos dias mais legais da minha vida. Eu brinquei, “se” diverti
(sic). O lobo-guará foi o mais legal de todos e foi minha primeira vez aqui.", diz empolgada.
Entre árvores, pegadas e descobertas, a visita guiada na Reserva Ecológica do IBGE mostrou que a educação ambiental também acontece quando o conhecimento vai além das páginas dos livros e pode ser vivenciado na prática. Essa experiência é um excelente meio de disseminar a presença do IBGE na sociedade, com uma interação positiva e marcante.