
Em março de 2026, começaram as atividades de campo para investigar como comunidades de borboletas que se alimentam de frutos em decomposição e abelhas nativas respondem às variações ambientais em diferentes tipos de vegetação do Cerrado. A iniciativa integra o programa Cerrados do Planalto Central – Estrutura, dinâmica e processos ecológicos (PELD), financiado pelo CNPq, que está na quinta fase e dá continuidade a estudos ecológicos de longa duração no bioma.
O estudo intitulado “Dinâmica espaço-temporal das assembleias de borboletas frugívoras e abelhas em resposta aos gradientes ambientais de fitofisionomias savânicas do Cerrado” é coordenado pelo pesquisador Onildo Marini Filho (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio), pelo professor Antônio Aguiar e pós-doutorando Geraldo Freire (Universidade de Brasília – UnB) e pelo servidor e pesquisador Leonardo Bergamini (GMAG-DF/IBGE). As atividades serão realizadas na Área de Proteção Ambiental do Gama e Cabeça de Veado (APGCV), unidade de conservação que inclui a Reserva Ecológica do IBGE.
A equipe de trabalho também é composta por servidores da Reserva – Humberto Coelho e Thulio Mattos, pesquisadores da UnB, além de orientandas e bolsistas do ICMBIO: Morgana Martins, Elyne Leitão e Rafaella Silva. O objetivo do projeto é avaliar o potencial de borboletas e abelhas como indicadores da biodiversidade — ou seja, organismos cuja presença e comportamento ajudam a medir a qualidade ambiental. Esse tipo de abordagem ainda é pouco explorado em áreas savânicas como o Cerrado.
As borboletas frugívoras, que se alimentam de frutos em decomposição, e as abelhas, reconhecidas por seu papel essencial na polinização, respondem rapidamente às alterações na vegetação e nas condições ambientais. Por isso, são consideradas grupos-chave para monitorar os impactos das mudanças ambientais e das alterações causadas por atividades humanas no Cerrado.
O projeto prevê a instalação de armadilhas padronizadas para a coleta desses insetos em diferentes distâncias do limite da área protegida com a matriz que a rodeia. A estratégia permitirá identificar até que ponto impactos externos, no entorno, afetam o interior das unidades de conservação (UCs), além de estimar o alcance dos benefícios gerados pelos insetos conservados nas áreas protegidas.
As análises vão considerar diferentes dimensões da biodiversidade: taxonômica (variedade de espécies), funcional (papel ecológico dos organismos) e filogenética (relações evolutivas entre espécies). Esses dados serão relacionados com as variáveis ambientais e características da paisagem ao redor das áreas estudadas.
Além da pesquisa, o projeto também aposta em ações de divulgação científica e participação social. Estão programadas palestras, atividades educativas e iniciativas de ciência cidadã — quando a população contribui com a coleta de dados — como bioblitz (eventos de registro intensivo de espécies) e uso do aplicativo iNaturalist. As ações devem envolver moradores do entorno da APA e visitantes do Jardim Botânico de Brasília.